Assassin’s Creed Origins

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O ano é 2017, admito não ter procurado noticias anteriores, mas me lembro do arrepio na espinha ao ver o trailer de Assassin’s Creed Origins na E3. Para quem não sabe, a série de jogos é a minha série favorita, tendo jogado absolutamente todos os jogos lançados até hoje (inclusive os spin offs, e os “2D” da série Chronicles). E para a minha alegria, esse Critical Hit é justamente sobre o mais recente da série de jogos produzido pela francesa Ubisoft, mas sem enrolação … todo mundo sabe o que é Assassin’s Creed, e essa série já não precisa de introduções.

Eu acho que dá pra ver minha casa daqui!

Assassin’s Creed Origins, na minha singela opinião foi uma injeção de ânimo e mudança muito bem vinda para essa série de jogos. Segundo informações do diretor do game, Origins começou a ser produzido ainda no ano de 2013 logo depois do lançamento de Black Flag (aclamado pela grande maioria de pessoas como o melhor jogo da série até então), antes mesmo do lançamento de Unity e Syndicate (2013 e 2014 respectivamente). Como pode-se perceber, o game não seguiu a rotina de lançamento anual da empresa, e o jogo nos mostra que esse foi um grande acerto, pois o cuidado com a finalização do jogo é primorosa, e deixou o jogo maravilhoso de se ver e jogar, sem todos aqueles bugs bizarros que presenciamos em algumas edições anteriores (lembrem-se de como foi o Unity no lançamento, por exemplo).

A origem da irmandade é contada utilizando a ambientação no Egito antigo, e acompanhamos a história pelos olhos de Bayek de Siuá, um Medjai (um protetor da terra, a serviço do faraó – lembra do filme “A múmia?”) que possui um nível elevado de carisma, se igualando aos Frye de Syndicate ou até mesmo a Ezio do Assassins Creed 2 e derivados. Bayek nos é mostrado como um guerreiro que luta nas sombras para servir a luz, o que se tornou um dos credos da irmandade.

Toda a história se passa no período da dinastia Ptolomaica, quando rolou aquela treta cabulosa entre Cleopatra e seu irmão mais novo, Ptolomeu XIII, vivenciamos a ocupação grega e romana nas terras do Egito, com direito a discussões entre as duas etnias que ali “conviviam”, e nesse quesito, o jogo cumpre magistralmente a premissa de apresentar um período histórico para o jogador.

Ainda não existe o conceito de assassinos e templário, como nos outros jogos (Origins, certo?! :D), e os inimigos de Bayek formam uma organização secreta chamada Ordem dos Anciões, que como toda grande organização do mal quer o controle absoluto das terras e pessoas por meio do totalitarismo e do medo. A cada instante o jogador é levado a descobrir seus empolgantes desdobramentos até que … bem, no final do texto a gente volta nisso. A batalha com os vilões me trouxe a memória as boss battle de Assasin’s 2 contra os Borgia, e isso foi muito bem vindo.

Diferente de seus antecessores, quando estamos no presente, Origins nos traz um gameplay em terceira pessoa. Controlamos Leyla Hassan, uma funcionária da Abstergo que não fazia ideia dos segredos que a empresa esconde, mas que possui muitas teorias conspiratórias dignas de um documentário do History Channel (falo isso como um elogio). Cada vez que controlamos Leyla no jogo, a trama se torna mais densa, e o sentimento de “que que tá rolando aqui, bicho?!” vai aumentando até o final do game.

Tela de combate do game.

A movimentação pelo mapa enorme do Egito, foi um dos pontos altos do game. Eu como amante de História perdia horas e horas visitando os pontos turísticos do Egito e brincando com o modo de fotos e captura do PS4. No game, você pode literalmente “colocar pra frente e ir” subindo montanha, pulando parede, nadando, escalando pirâmide … e cruzar o mapa de ponta a ponta sem nenhuma tela de loading (exceto quando você morre ou se afasta muito com a Senu).

O sistema de progressão do jogo passou por uma total reformulação, inserindo vários elementos de RPG que tornaram a evolução do personagem única e extremamente agradável, pois existe uma árvore de habilidade que se ramificam em três vertentes principais. O combate, muito mais livre que os games anteriores, com elementos que me lembraram os combates de Bloodborne me deixavam com sangue nos olhos para matar todo e qualquer filho da p*ta soldado inimigo que cruzava meu caminho, era um festival de: esquiva … rolamento … golpe forte … golpe fraco … pulo em câmera lenta com arco e flecha até que restasse uma pilha de corpos e eu pudesse sair por ai desfilando com meu Chocobo de 4 patas (sim, o Chocobo de Final Fantasy – mais a frente comento isso).

Outro detalhe que me satisfez bastante nesse jogo foi como a IA dos NPC evoluiu desde os últimos jogos, deu pra sentir que a vida realmente acontecia ao redor de Bayek (mesmo com a repetição considerável de personagens em vários pontos do mapa), pessoas interagiam com outras, pessoas tratavam firmemente com outras no mercado, e tudo isso sem interferência alguma de minha parte. Muito disso podia ser acompanhado pelos olhos de Senu (manja o drone de Watch Dogs 2? Então, parecido, mas com uma FUCKING águia). Todos esses sistemas secundários do game me prenderam de tal forma que se passaram 6 meses que comprei o jogo e ainda entro pra cumprir missões secundárias (estou cogitando correr atras da platina) sem ficar cansativo.

Diferente dos demais jogos da série, Origins coloca o jogador como um mero peão no tabuleiro, onde uma série de histórias acontecem e varias delas não conectadas diretamente a você e a sua missão principal. Volto a repetir … e tudo isso, em uma ambientação espetacular do Egito no inicio da decadência, onde as pirâmides ainda eram monumentos belos e ornados. Quando comecei o jogo (em novembro/dezembro) estava rolando um evento em parceria com a Square Enix misturando o universo de Assassin’s Creed com o de Final Fantasy XV, por conta disso, passei grande parte do jogo com espada e escudo baseados nas armas do grupo de Noctis, e montando um Chocobo bizarro de quatro patas (ele é bizarro pois me acostumei ao fato que Chocobos tem só duas patas).

Olha esse bicho bizarro de 4 patas, bicho!

-Agora pra fechar os pontos todos, vamos ao veredito do jogo, e alguns pequenos spoilers podem ser ditos a partir desse ponto. Tá avisado hein … spoilers leve daqui pra frente … sério cara, para de ler aqui e volta a ler depois do video pra ver a nota… é por sua conta e risco hein … vamos lá!

A trama de Assasin’s Creed prendeu até o final, tanto no passado como no presente, porém para um jogo que leva “Origins” no nome, a origem acabou sendo apresentada de uma forma corrida, em uma cutscene de 5 minutos no final de, até então, umas 40 horas de jogo. Ou seja, o jogo inteiro foi maravilhoso, mas o final morno foi difícil de engolir (se falar mais que isso pode ser um spoiler muito forte), enquanto que no presente … a situação inicial de Leyla pouco foi alterada no final do jogo, deixando bem morno algo com um grande potencial. Deu a impressão de que depois de toda a história alguém da produção lembrou: “Eita!!! Temos que botar a origem né?”, o que tornou as coisas complicadas, mas não estragou a experiência pra mim, afinal foram varias e varias horas despendidas naquele mundo que me foi apresentado.

Como sempre, a Ubisoft produziu um trailer cinematográfico com uma música que incitava a jogar o jogo, e admito, que mesmo em situação financeira complicada, parcelei o jogo (mesmo sem ter condição alguma na ocasião) por conta desse trailer, que só vi no final de novembro passado. Dá uma olhada ai, e me diz se “You want it darker” na voz de Leonard Cohen com essas imagens num ficou bom…

Nota: 9/10

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Sobre o Autor

Farmacêutico que não puxou a optativa de colocar crédito no celular dos outros. Mestre pela UFRJ. Cagador de regra profissional. Viciado no meu ps3/ps4, entusiasta de podcast e outras inutilidades da cultura pop, que gostaria de jogar Overwatch até na geladeira, retro gamer que o ultimo console da nintendo que teve foi um NES e fã incondicional do Mario verde.

  • JBastos Ribeiro Neto

    Ainda vale a compra, com a aproximação do lançamento do odyssey? Na PSN o preço ainda esta na faixa dos 200 reais.

    • Rick

      Então cara … o jogo vale a pena, mas pagar 200 pratas é osso. Cria um alerta no promobit, ou no zoom pro jogo, e pega numa promoção dessas ai. Ele ja saiu por 100 pratas na americanas. Particularmente, eu gostei bastante desse jogo, e acho que é válido jogar ele, pois as mecânicas do AC:Origins, serão evoluidas para o Odyssey, então é sempre bacana ver onde começou. (mas eu chuto que a ubi deve fazer alguma promoção do Origins perto do lançamento do Odyssey.)