Final Fantasy VI

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Se algum dia os alienígenas invadirem a Terra para nos testar, eu vou apresentar esse jogo em nossa defesa. E por falar em Terra, o título de hoje do Critical Hits é protagonizado pela única manipuladora de magia que se tem notícia na era das máquinas e que recebe o mesmo nome do planeta que mais produz memes, segundo o IBGE. Final Fantasy VI (numerado como III no ocidente) foi lançado em 1994 para o saudoso SNES e é considerado pela maior parte dos fãs e da crítica como o melhor título da série. Já alerto de início que vai haver uma chuva de spoilers nesse post, já que não dá pra falar dessa obra-prima sem citar seus momentos icônicos. Então se você nunca finalizou o game, continue por sua conta e risco.

O jogo se inicia com uma cinemática que explica como a guerra da magia, em tempos remotos, quase destruiu o mundo. Depois dessa guerra, a manipulação de magia se tornou uma arte esquecida, até o momento em que o Império de Gestahl a revive explorando os Espers (que são os conhecidos summons da série) e controlando a personagem Terra Branford. Terra (ou Tina no ocidente) é capaz de manipular magia por conta própria e se encontra subordinada por ordens do Imperador. Juntamente com outros soldados do Império (Wedge e Biggs, que fazem referência clara a Star Wars), Terra vai a Narshe à procura de um Esper, onde se depara com o grupo rebelde The Returners, que a liberta do controle do Imperador, tornando-a integrante do grupo.

Com um enredo inicial que pode ser não cativante para os dias de hoje já que possui uma estrutura que foi exaustivamente explorada em outros jogos de RPG (incluindo da própria série), Final Fantasy VI conquista o jogador na construção da história e dos personagens. Esse foi o primeiro título da série que explorou com detalhes o background cada personagem, criando um carisma e identificação muito fortes por parte do jogador. Uma das grandes dificuldades dos criadores foram intercalar todas as histórias. A personagem Celes, por exemplo, não era pretendida a ter a importância que teve. Entretanto, acabou protagonizando algumas das cenas mais importantes e alguns jogadores chegam a ter ela como personagem mais importante.

Spoiler: dois personagens adicionais além dos exibidos acima podem ser agregados ao grupo

A cena que provavelmente ficou eternizada pela interpretação de Celes é o musical que passa na casa de ópera. Com um sistema de som limitado pelo hardware do Super Nintendo, a trilha Aria de Mezzo Carattere foi fundo de uma bela cena teatral que os consoles nunca tinham visto até então, onde Celes contracena uma história que de muitas formas remetia seu momento atual. A trilha completa com arranjo orquestral foi lançada na OST do jogo e serviu de base para os temas de Aeris em Final Fantasy VII e Yuna em Final Fantasy X.

A outra cena protagonizada pela Celes é, na minha opinião, a cena mais marcante de todos os Final Fantasy’s.  Após o vilão principal Kefka desalinhar as estátuas que mantinham o equilíbrio do mundo principal, segue-se uma sucessão de destruições e mortes no planeta, que passa a ter um aspecto assombrosamente mórbido, dando início ao mundo da ruína (The World of Ruin). Celes acorda então sozinha em uma ilha, sem notícias ou qualquer perspectiva sobre seus amigos, até encontrar Cid (que era tido como um pai ou avô por Celes) em péssimas condições. Em um dos possíveis desfechos, se você não cuidar dele alimentando-o corretamente, Cid vem a falecer. E no momento de maior depressão onde o jogo consegue transmitir com maestria esse sentimento ao jogador, Celes desiste de tudo e tenta o suicídio se jogando do penhasco (se você não conhece o desfecho, deixo aqui mais uma boa motivação para jogar logo!).

Tão impecável quanto a construção dos personagens ou da história, foi a construção do vilão do jogo. Kefka é um vilão que no início nem de longe se mostra uma ameaça real. Em tentativas vergonhosamente frustradas, suas investidas para impedir as ações dos Returners lembram mais a caça do Coyote ao Papa-Léguas. Mas com uma personalidade determinada e maquiavélica, a ambição por poder de Kefka começa a torná-lo um dos vilões mais icônicos da série. Momentos como o envenamento do rio de Doma (que dizima a sua população, incluindo a família de Cyan) e a destruição do mundo do equilíbrio fazem o jogador se ater ao jogo não mais por entretenimento, mas por desejo de vingança.

Deixando de lado a narrativa de jogo e voltando a outros aspectos importantes da jogabilidade, Final Fantasy VI traz um sistema de jogo bem parecido com os títulos anteriores e outros JRPG’s. Sistema de batalha por turnos, invocação de Espers, aprendizado de magias e outros mecanismos característicos da franquia estão presentes. Tive a primeira experiência com Final Fantasy VI há não muito tempo e posso afirmar que é um jogo que envelheceu muito bem. A trilha sonora eterniza de forma virtuosa cada cena do jogo.

É impossível não sentir um enorme vazio ao finalizar essa obra-prima e se encantar com cerca de 15 minutos de zeramento (algo que também nunca tinha se visto até então). Final Fantasy VI trava uma boa disputa com Chrono Trigger pelo posto de meu jogo favorito e é obrigatório pra qualquer jogador que tenha um mínimo de entusiasmo com o gênero RPG. O único problema de Final Fantasy VI é que ele acaba. Mas sempre vai valer um replay…

Nota: 9,5/10

 

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Sobre o Autor

24 anos. Analista de Sistemas na Impulso TI. Bacharel em Ciência da Computação pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Entusiasta Linux e defensor do Software Livre. Resolvedor de Cubo Mágico e Retro Gamer nas horas vagas. Aprecia uma boa cerveja em companhia dos amigos.