To far away times: Chrono Trigger

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“Nothing in the past or future will ever feel like today…”

Para mostrar que o Critical Hits veio pra chegar metendo o pé na porta, o post de hoje vai viajar pelo que é, na minha opinião, a obra-prima de todos os tempos (literalmente!). Lançado originalmente para o SNES em 1995, Chrono Trigger explorou o contexto de viagem temporal com maestria e permanece até hoje a obra intocável da Square, deixando os fãs suspirando por um remake ou continuação que tivessem alguma contribuição significativa para a storyline original (Chrono Cross não conta 🤷‍♂️).

Criado pela seleção all-star da Square, o dream team que desenvolveu Chrono Trigger contava com Hironobu Sakaguchi (produtor da série Final Fantasy), Yuji Horii (diretor da série de jogos Dragon Quest) e Akira Toriyama (criador de mangás famosos, como Dragon Ball e Dr. Slump). Os traços característicos de Akira Toriyama são identificados de longe nos personagens, com algumas semelhanças diretamente notáveis, como os personagens Crono/Goku e Marle/Bulma.

Com um cenário inicial clássico de um JRPG, Chrono Trigger se inicia em uma era medieval: o ano 1000 AD (anno Domini, ou “no ano do senhor”), que é tido como o presente na referência do jogo e é palco da feira milenar, evento principal do início do game. Nessa era residem os 3 personagens jogáveis que formam sua equipe inicial: Crono (nosso herói protagonista de poucas palavras), Lucca (amiga de Crono, a grande mente engenhosa da equipe) e Marle (que Crono conhece na feira e depois descobre ter uma outra identidade oculta).

A trama começa de fato quando um experimento de Lucca (uma máquina de teletransporte) dá errado devido a uma reação com o pingente de Marle e abre uma fenda temporal que a suga e depois desaparece. Crono e Lucca seguem seu trajeto para salvá-la e desbravar seu passado, de onde se segue uma jornada através de todas as eras humanidade. Durante suas viagens a equipe liderada por Crono vai alterando a linha do tempo principal, e dependendo das ações do jogador, o jogo pode terminar de 13 formas diferentes.

Não bastasse ser a obra-prima definitiva da Square em um console 16 bits (que envelheceu muito bem por sinal), em minha experiência pessoal Chrono Trigger foi o responsável por me introduzir ao gênero RPG. Instigado pelo “goku de cabelo vermelho”, aos 11 anos iniciei minha quest que, nos primeiros dias, se resumiu somente a ficar dando voltas e matando alguns inimigos na floresta. Pouco a pouco entendendo os elementos de um jogo de RPG baseado no sistema de turnos, me esbarrei na principal dificuldade pra uma criança brasileira da minha geração que queria jogar um RPG: a interpretação do texto em inglês.

Após perceber que eu precisava entender o que se passava na história para prosseguir no jogo, corri pra estante e peguei um dicionário inglês Michaelis (pasmem, crianças… naquela época não havia google tradutor!) e comecei a traduzir cada palavra isolada de cada janela de conversa (e há quem diga que a gente não se dedicava aos estudos). Nesse ponto, qualquer gamer com mais de 20 anos vai se identificar com a conclusão de que os videogames foram nossa melhor escola de inglês (dentre outras habilidades).

Nesta capa Marle aparece originalmente manipulando magia de fogo, mas na versão final do jogo o elemento designado a ela foi o gelo.

Personagens carismáticos, gráficos muito bonitos para a época (e que ainda enchem os olhos para quem admira a arte pixelada) e uma trilha sonora que toca o fundo da alma. O único defeito de Chrono Trigger é que ele acaba. E te deixa um vazio existencial tão grande que você vai deitar em posição fetal após finalizar o jogo (TODAS AS VEZES). Ainda hoje regularmente me dedico a finalizar esse game vez ou outra para revisitar todas essas sensações que só esse título traz. Eu poderia jogar esse jogo o dia todo, e esse certamente seria um dia que valeu a pena!

Mesmo não possuindo uma continuação (apesar de alguns fracos links, Chrono Cross está longe de representar uma sequência), o título foi relançado diversas vezes, com alguns acréscimos de CG’s e dungeons que não saciaram, mas deram aos fãs uma nova oportunidade de reviver com saudosismo a experiência do jogo. E quando digo que o título foi feito para ser a obra intocada da Square, a empresa não brinca com o preciosismo: qualquer tentativa de fãs em recriar o jogo foi fortemente barrada em processos judiciais. O caso mais famoso é o Chrono Ressurection, remake 3D do jogo que ficou pelo caminho.

Ainda que a Square se dispusesse a produzir algum conteúdo inédito e relevante, a essa altura o saudosismo e a expectativa dos fãs estabelecem padrões de exigência bem altos. Nada seria bom o bastante e poderia deixar um gosto amargo em um trabalho que é o estado da arte dos RPG’s. E assim vai permanecer, até o fim dos tempos.

NOTA: 10/10

 

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Sobre o Autor

24 anos. Analista de Sistemas na Impulso TI. Bacharel em Ciência da Computação pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Entusiasta Linux e defensor do Software Livre. Resolvedor de Cubo Mágico e Retro Gamer nas horas vagas. Aprecia uma boa cerveja em companhia dos amigos.